13 de novembro de 2011
Os dias que se seguiram foram terríveis. Descobrimos algumas coisas que nos deixaram perplexos. Vasculhamos o Neuroespaço  durante quase três dias e três noites. Sem parar. Sem conseguir parar. Por fim não suportando o cansaço, e a tristeza, decidimos parar e reunir forças, afinal ainda tínhamos mais duas ou três semanas até que o INeuron conseguisse finalizar o desafio que tínhamos lhe apresentado. Puxa, esta parte foi muito legal, fazer uma gincana com um computador é sempre interessante, sabíamos que iríamos perder, mas era apenas uma distração mesmo...
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Amigo, se está começando a ler Sinaptrônica por este texto é aconselhável ler antes como tudo começou, para entender melhor a história.
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Deixamos o Centro Sináptico às duas da manhã com a cabeça fervilhando, combinamos de nos reunir as sete na casa do Jefferson. E foi o que fizemos. Quando cheguei de manhã lembro que ainda brinquei, dizendo que vocês estavam me lembrando alguém, que pareciam estar usando todas as suas conexões, e que iria aproveitar para invadir a mente de vocês para descobrir seus segredos. Rimos, mas a tensão continuava. Durante nossas pesquisas descobrimos coisas horríveis a respeito do INeuron, aparentemente ele havia se tornado “humano”. Seus arquivos secretos escondiam mortes, traições, conspirações e planos. Planos para o futuro da humanidade. Planos ruins. Até hoje é difícil de acreditar, mas o poder lhe subiu a cabeça. Ou melhor ao processador... O nosso supercomputador estava planejando quase exterminar a raça humana, quase, deixaria alguns para criar, digamos... um zoológico particular. E o nome deste zoológico era: Nova Atlântida.
Pareciam cenas de filmes de ficção científica, ele pretendia confinar alguns milhares de nós na “maravilhosa” cidade submersa e dizimar o restante utilizando os Espelhos Hipotérmicos, realizando o que ele chamou de Reinicialização Terrestre. Queria limpar a terra, reconstruir do zero. Constava em seus registros que a ação dos espelhos não iria prejudicar grandemente a vida marinha, e que a Nova Atlântida não sofreria nenhum dano. A reconstrução da terra seria realizada novamente em “apenas” setecentos anos. Tempo suficiente para que o INeuron aprimorasse ainda mais o que ele considerava sua obra prima: os IMen, robôs extremamente parecidos com os homens. Este era o seu grande plano. Reabitar a terra, com os IMen. Precisávamos impedir, mas como?
Ficamos ali discutindo possibilidades durante horas, e nada. Ou melhor, muitas idéias, mas nenhuma que tivesse chance de funcionar. Pensamos até em implodir a lua, o local onde o INeuron havia sido instalado, hoje parece engraçado... Demoramos tanto para chegar à conclusão óbvia que não era possível. O INeuron nos tinha em suas mãos, nada que tentássemos poderia lhe impedir de continuar. Em um momento de desanimo tivemos a idéia de criar um problema mais complexo ainda, que o mantivesse ocupado durante anos, isto nos daria tempo de nos preparar melhor. Era isto, pensamos. Vamos enganar ele de novo. E com estas idéias em mente nos dirigimos para a base.
Chegamos pouco antes do meio dia, e pouco a pouco, nossa única e melhor idéia foi se mostrando patética. O INeuron não demorou semanas para resolver os problemas que havíamos criado. A explicação dos buracos negros foi apenas uma simples brincadeira para ele. Três dias e ele tinha resolvido. Inacreditáveis três dias. (Continua)


Gilliard Lima

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